Soltar Evanio Prestini no dia em que faz 3 meses da morte das vítimas é premiá-lo por dirigir sob o efeito de álcool

Por Marcia Pontes, colunista do Notícias Vale do Itajaí

Familiares das vítimas falecidas, em recuperação com politraumatismos e das sobreviventes esperam que Evanio continue preso até a data do julgamento por júri popular. Da mesma forma a sociedade espera que Evanio Prestini não seja premiado com uma possível soltura bem no dia em que se completa 3 meses da morte das vítimas na colisão do dia 23 de fevereiro na BR-470. Seria um tapa na cara da sociedade e das famílias órfãs que aumentaria o sentimento de impunidade e enfraqueceria a credibilidade na própria Justiça. Seria um rir da cara da sociedade comparado a um sorrir da hiena com a boca aberta e cheia de carniça.

Lembrando a decisão do desembargador Alexandre D’Ivanenko ao negar pedido de habeas corpus de Evanio complementado pela fala da Promotoria, que é a titular da ação penal: “O Evanio já teve punição administrativa [multas], não foi suficiente… teve o ilícito civil por conta da colisão de uma Land Rover num bar, também não foi suficiente… e agora veio parar na esfera criminal, pois nada foi suficiente para mudar a postura dele…”

Familiares, amigos, pessoas que apoiam as famílias de Suelen Hedler e de Amanda Grabner e todos aqueles que não suportam mais a impunidade no trânsito aguardam com expectativa e muita sede de justiça a próxima audiência de Evanio Prestini, dia 23 de maio, às 13h, no Fórum da Comarca de Gaspar. É justamente o dia em que completam exatos três meses da morte das vítimas na colisão entre o Jaguar conduzido por Evanio Prestini, que dirigia sob o efeito de 0,72 mg/L de álcool por litro de ar alveolar, e atingiu cinco ocupantes do veículo Palio. Da colisão faleceram duas vítimas, uma ainda permanece em cadeira de rodas com politraumatismos enquanto as duas sobreviventes enfrentam as sequelas psicoemocionais. A motorista do Palio, que era a motorista da rodada, é acusada pela defesa de Evanio de causar a tragédia.

No dia 23 de fevereiro as cinco ocupantes do Fiat Palio voltavam de uma festa no litoral pela BR-470 sentido Blumenau. A motorista Thaynara combinou de ficar sóbria a festa toda para dirigir e trazer todas em segurança de volta para casa. Vídeos que foram anexados aos autos do processo mostram Evanio consumindo bebidas alcoólicas em um estabelecimento em Rio do Sul com a mesma roupa em que estava na manhã da colisão. Consta ainda no processo que o réu dirigiu sob efeito de álcool por mais de 100 quilômetros um Jaguar branco de Rio do Sul passando pela BR-470 sentido litoral, inclusive, colocando em risco a segurança de outros motoristas ao longo do trajeto.

O motorista Sílvio Bambinetti viajava com a família sentido litoral e trafegou atrás do veículo de Evanio ao mesmo tempo em que sua esposa filmava o Jaguar em Zigue Zague  invadindo a pista contrária em diferentes momentos. Bambinetti fez duas ligações para avisar a PRF, mas o pedido de socorro foi ignorado e na BR-470, em Gaspar, câmeras mostram o Jaguar invadindo a pista contrária. Testemunhas-chave no caso afirmaram em Juízo que os resultados da conduta de Evanio provocaram o acidente.   

Depoimento de testemunha põe em saia justa a tese da defesa

Na semana passada foi feita a oitiva de uma testemunha que trafegava atrás do Fiat Palio  conduzido pela motorista Thaynara. Uma perícia particular contratada pela família de Evanio Prestini suporta a tese da defesa de que a motorista do Palio estava acima de 80km/h, o que foi negado pela testemunha. Esse motorista contou que o seu veículo tem um dispositivo que apita quando o veículo chega a 80 km/h e avisa para não ultrapassar a velocidade permitida. Enquanto trafegava atrás de Thaynara o dispositivo não apitou nenhuma vez. Ele afirma que pela velocidade de seu veículo, como estava seguindo o Palio, a velocidade era de cerca de 70km/h.

A defesa de Evanio Prestini alega que as garrafas de bebidas encontradas no Jaguar foram “plantadas” por alguém que queria prejudicar Evanio, mas a testemunha inclusive mostrou ao magistrado que o ouvia uma foto que mostra Evanio tentando esconder a mala onde estavam as bebidas para evitar que fosse aberta. O jornalista Jefferson Santos fotografou a mala com as bebidas no exato momento em que foi aberta no local e gravou um vídeo que está anexado ao processo e registra o momento em que Evanio Prestini fazia o teste de etilômetro acusando a alcoolemia.

A testemunha ouvida em Juízo foi o mesmo homem que segurou a mão de Amanda Grabner enquanto ouvia dela as últimas palavras: o pedido para segurar a sua mão porque estava com medo de morrer sozinha. Também foi anexado aos autos um vídeo feito por populares no momento em que  informam a Evanio no local da colisão que havia uma moça morta no Palio e outras feridas com gravidade, ao que ele responde um sonoro: “Fazer o quê?”. Questionado novamente respondeu: “eu dormi”. 

Manifestação popular por justiça

Enquanto Evanio Prestini segue preso em cela separada junto com o ex-deputado João Pizzolatti e outros presos, pelas redes sociais os familiares, amigos, outras vítimas de acidentes de trânsito e demais pessoas que lutam contra a impunidade nos crimes de trânsito envolvendo álcool e direção estão convocando pelas redes sociais o maior número de pessoas possível para uma manifestação em frente ao Fórum no dia 23 de maio, a partir das 13h, quando começa a audiência. O objetivo é chamar à atenção a sociedade para o caso e clamar por justiça para que o réu continue preso até o final do processo e seja julgado por júri popular.

Será a primeira vez que Evanio Prestini falará ao juiz na audiência de instrução e julgamento. A fase seguinte será de pronúncia do réu, ou seja, quando o magistrado decidirá se Evanio vai a júri popular por homicídio doloso ou se responderá em liberdade por homicídio culposo, o que o faria se livrar do júri popular.

Evanio já teve cinco pedidos de liberdade negados na audiência de custódia e em outros pedidos de habeas corpus, julgados, inclusive, por desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Na última tentativa encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) os próprios advogados de Evanio protocolaram novo pedido de soltura, mas logo em seguida o retiraram em regime de urgência. É possível que a defesa de Evanio faça novo pedido de soltura durante a audiência do dia 23 de maio, quinta-feira, e caberá ao juiz substituto decidir, não necessariamente no mesmo dia caso entenda pela complexidade do caso.  

Audiência do dia 29 de maio foi antecipada para o dia 23

Na quinta-feira da semana passada (16/05) um dos advogados de Evanio Prestini, Nilton João de Macedo Machado, visitou o gabinete do juiz substituto que vai presidir a audiência. Ouvido pela imprensa, o magistrado disse tratar-se de um pedido para adiar a audiência que estava marcada para o dia 29 de maio próximo. No dia seguinte (17/05), sexta-feira, o juiz atendeu ao pedido do advogado de Evanio que alegou já ter três compromissos para o mesmo dia e em cidades diferentes. Esse mesmo advogado estava na audiência em que tinha sido marcada a data para o dia 29 de maio. No dia 30 de maio a juíza titular do caso retorna à comarca e em poucos dias já terá assumido a pasta.

Familiares e amigos das vítimas convidam a todos quantos puderem que compareçam às escadarias da porta de entrada do Fórum de Gaspar no dia 23 de maio, a partir das 13h, para pedir por justiça. Para que Evanio Prestini continue preso e que vá a júri popular por ter causado com a sua conduta de beber e dirigir a morte de duas vítimas, pelos traumatismos de outra delas e por destroçar psicoemocionalmente outras duas.

Quem puder leve balões brancos, faça cartazes pedindo por justiça e junte-se aos manifestantes em oração e nos apelos pacíficos. Os manifestantes irão se reunir, fazer orações e cantar a mesma música da primeira manifestação na Igreja Matriz São Paulo Apóstolo.

Uma coisa é fato e seria um tapa na cara da sociedade e das famílias órfãs comparado a um sorrir da hiena com a boca cheia de carniça: soltar Evanio Prestini no dia em que faz 3 meses da morte das vítimas é premiá-lo por dirigir sob o efeito de álcool e por ter causado com sua conduta passível de se prever os resultados uma tragédia anunciada. E como diz o renomado jurista uruguaio conhecido e reconhecido mundialmente, Eduardo Juan Couture Etcheverry, “o teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça.”

Márcia Pontes
Especialista em Trânsito

Representante do Maio Amarelo em Santa Catarina

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