Queremos a ferrovia de 1909

Por Leonardo Secchi, colunista do Notícias Vale do Itajaí:

 

Há 47 anos, em março de 1971, o trem da Estrada de Ferro Santa Catarina, que cruzava o Vale em 180 quilômetros entre Itajaí e Agrolândia, fazia sua última viagem depois de mais de 60 anos como principal e mais barato meio de transporte na região. Sim, o Vale do Itajaí tinha uma ferrovia! Passava por 21 cidades, tinha estação em cada uma delas e em sua última parada, em Agrolândia, projetava a audaciosa meta de ligar pelos trilhos o Vale à Serra e ao Oeste catarinense.

Quase meio século depois, algumas cidades ainda preservam a história, como é o caso de Rio do Sul, onde a estação da Estrada de Ferro virou Museu, ou Apiúna que transformou 2,5 quilômetros de trilhos em passeio turístico na restaurada Maria Fumaça.

Quem é natural do Vale, especialmente dessas cidades e de Indaial, Itajaí, Blumenau, Ibirama e Gaspar, conhece bem a história e ainda convive com as marcas dos trilhos, estações e pontes que contornam a BR-470. Quem viveu em 1909, quando a ferrovia foi inaugurada, num trecho inicial entre Blumenau e Ibirama, jamais imaginaria que 109 anos depois, 47 deles em desuso, ela voltaria a ser cobiçada.

Resgato esse importante trecho da nossa história para defender a pauta levantada pelas entidades empresariais do Vale do Itajaí: a inclusão da região no traçado da ferrovia da integração, que ligará o Extremo-Oeste ao Litoral catarinense. O principal traçado apresentado em forma de “Y” pela empresa responsável pelo projeto, ligaria Dionísio Cerqueira a Itajaí, com uma bifurcação em Alfredo Wagner, seguindo a Imbituba de um lado e a Tijucas do outro, deixando o Vale de fora.


As credenciais do Vale

Há fortes razões para defender a inclusão do Vale no traçado. A primeira delas é o esgotamento da BR-470, que amarga situação precária e o atraso nas obras de duplicação. Quando as rodovias surgiram com carros e caminhões e decretaram a decadência das estradas de ferro, o asfalto passou a ser sinônimo de progresso econômico antes representado pela ferrovia. Não se imaginava, porém, que em um século a modernização se tornaria obsoleta como único modal de transporte. Hoje há muitos carros para poucas rodovias e pouco recurso para muitas obras necessárias.

Outro ponto que credencia a região a estar no projeto é o potencial produtivo e industrial. O Vale do Itajaí tem o segundo maior PIB de Santa Catarina, puxado, especialmente, pela forte cadeia portuária. Com tamanha força, como não melhorar o escoamento da produção?

Se no passado cometemos o erro de desativar um modal importante para o transporte de cargas, seremos descuidados agora ao resgatarmos a ferrovia sem contemplarmos todas as regiões do Estado? A nova estrada de ferro que sequer saiu do papel e que vai custar bilhões de reais, não pode começar devendo. É uma obra importante para o Estado, essencial para o Vale e fundamental para a economia catarinense.


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