Militares venezuelanos desertam e pedem refúgio no Brasil

da ANSA

Dois membros da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela desertaram e pediram refúgio no Brasil, em meio à tensão nas fronteiras por conta da tentativa de entrada de ajuda humanitária.

Segundo o coronel do Exército Brasileiro Georges Feres Kanaan, os dois militares chegaram em Pacaraima na noite deste sábado (23) e estão alojados em um abrigo para refugiados. Eles são os primeiros membros da Guarda Nacional Bolivariana a fugir para o Brasil – a Colômbia contabiliza pelo menos 61 desertores desde sábado.

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“Estamos aqui no posto de triagem da Operação Acolhida, e ontem à noite dois militares da guarda nacional venezuelana se apresentaram como refugiados”, disse Kanaan, coordenador-adjunto da operação de acolhimento de refugiados venezuelanos, ao portal G1.

Os militares estavam desarmados e cruzaram a fronteira a pé. No último sábado, ao menos três civis morreram em confrontos em Santa Elena de Uairén, a 15 quilômetros da fronteira brasileira, por causa da resistência do regime de Nicolás Maduro em permitir a entrada de ajuda humanitária.

Brasil anuncia acordo para pacificar fronteira

O Ministério da Defesa do Brasil anunciou um acordo com a Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela para evitar novos confrontos com manifestantes na fronteira entre os dois países.

Ao longo da semana passada, especialmente no último sábado (23), foram registrados conflitos com mortes na região de Pacaraima, em função da decisão do regime de Nicolás Maduro de barrar a entrada de ajuda humanitária.

O prefeito da municipalidade venezuelana de Gran Sabana, Emilio González, que conseguiu fugir para Roraima, relatou pelo menos 25 manifestantes mortos e 84 feridos na repressão promovida pelas forças chavistas desde sexta-feira (22).

“Estamos passando por um momento difícil. Estamos em emergência. O narcogoverno de Nicolás Maduro está arremetendo contra um povo que necessita de paz e tranquilidade. O único rincão que tínhamos em Venezuela foi tomado por Maduro. Estão atacando. Tem sangue no caminho, nas ruas”, disse González.

Por meio de uma nota, o Ministério da Defesa disse ter intercedido “para que novos incidentes, na linha de fronteira, envolvendo venezuelanos e a Guarda Nacional Bolivariana, não voltem a se repetir”.

“Os veículos antidistúrbios, que estavam na barreira montada no país vizinho, recuaram imediatamente. Militares brasileiros e venezuelanos negociaram, no local, e foi entendida a inconveniência da presença desse tipo de aparato militar. No lado brasileiro, o controle dos acolhidos foi reforçado para evitar novos confrontos”, diz o comunicado.

A nota ressalta que a fronteira brasileira continua aberta para acolher refugiados e reitera a “confiança em uma solução urgente para a situação na Venezuela”. A crise será tema nesta segunda-feira (25) de uma reunião do Grupo de Lima, na Colômbia, com as presenças do vice-presidente Hamilton Mourão e do chanceler Ernesto Araújo.

Segundo o portal G1, Mourão disse que o Brasil manterá a “linha de não intervenção, acreditando na pressão diplomática e econômica para buscar uma solução”. No último sábado, o regime Maduro bloqueou a entrada de ajuda humanitária tanto do Brasil quanto da Colômbia, em um dia de tensão e confrontos nas fronteiras com os dois países.

O autoproclamado presidente Juan Guaidó, por sua vez, passou a acenar abertamente para uma intervenção armada, ao afirmar que “todas as opções” estão na mesa. Já o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que os dias do regime chavista na Venezuela estão “contados”.

Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil (Arquivo)

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