Joaquim Barbosa e os dilemas do PSB

Por Leonardo Secchi, colunista do Notícias Vale do Itajaí

 

A pouco mais de cinco meses do primeiro turno das eleições de outubro, a pontuação de Joaquim Barbosa, na última pesquisa Datafolha, trouxe um certo atropelo para o comando nacional do PSB. Em sua última convenção, o partido havia mais ou menos decidido que daria prioridade às suas candidaturas ao parlamento e aos governos estaduais, deixando a questão da candidatura própria à presidência em segundo plano. A ideia tinha a lógica de ampliara busca por apoios às candidaturas próprias nos estados, em troca de palanques abertos com variadas alianças em todo o Brasil.

Com a filiação de Joaquim Barbosa ao partido, nos últimos momentos do prazo legal para os postulantes a candidaturas nas eleições deste ano, deu-se um pequeno estranhamento entre o partido e o candidato, uma vez que nem o postulante afirmava o desejo de ser candidato, nem o partido queria se comprometer formalmente com uma candidatura presidencial ao recém chegado. Foi o resultado da pesquisa Datafolha, recentemente, quem de fato precipitou uma tomada de posição do PSB quanto à candidatura presidencial própria, no embalo dos 8% a 10% de preferências apresentados por seu provável candidato.

 

Vai ou não vai?

Mas, apesar disso, o dilema permanece. Primeiro, porque Joaquim Barbosa ainda não deu 100% de certeza de que quer realmente abraçar o desafio de disputar à presidência. Segundo, porque no próprio PSB ainda existem bolsões de resistência à uma candidatura própria, especialmente de alguns candidatos a governador que preferem arranjos locais para alavancar as suas próprias candidaturas. Resta saber como o partido trabalhará com essas resistências regionais em caso de haver uma decisão afirmativa de Joaquim Barbosa e uma opção do PSB por um protagonismo maior nestas eleições presidenciais.

A busca de maior protagonismo pelo PSB não seria novidade. É conveniente lembrar que o partido, através de Eduardo Campos, tragicamente morto durante a campanha presidencial passada, já conquistava um espaço significativo no espectro político nacional. O partido mostrou nas primeiras semanas daquela campanha crescimento consistente, chegando, já com Marina Silva que era sua vice, a liderar as pesquisas eleitorais em certo momento, sem, no entanto, chegar ao segundo turno depois.

 

Alternativa viável

Num momento em que o quadro eleitoral para as eleições presidenciais se mostra totalmente aberto, um partido médio, do porte do PSB, poderia se apresentar como alternativa viável ao eleitorado brasileiro. Enquanto das três candidaturas que atualmente encabeçam as preferências eleitorais, duas pertencem a partidos nanicos e a terceira é apenas virtual, pois seu candidato deverá ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, a de Joaquim Barbosa poderá contar com uma razoável base parlamentar, uma infraestrutura partidária bem montada e distribuída por todo o país, além de recursos financeiros e tempo de rádio e TV próprios.

 

Um outsider

E o discurso? Pois até para o discurso este é um dos melhores momentos. Além de ter sido um dos partidos menos chamuscados pela Operação Lava Jato, o candidato Joaquim Barbosa seria visto como um outsider e, ao mesmo tempo, como um representante do “tenentismo de toga”, essa nova força que nasceu no judiciário e ampliou-se para os setores médios da sociedade, determinando, de fato, os novos caminhos que nos levarão a um novo ordenamento republicano.

 

Sem radicalismo

O PSB agrega o eleitorado médio brasileiro, não é visto como radical e por isso consegue fazer composições à direita e à esquerda. Sem cair em populismos ou caudilhismos de esquerda ou de direita, tão comuns à nossa triste América Latina, pode apresentar modelos políticos atraentes, tais como os existentes em países nórdicos, onde as populações, a partir de uma educação de primeira qualidade, conseguem manter uma sociedade politicamente estável, socialmente justa, onde são inegociáveis os diretos humanos, as escolhas democráticas e os valores da civilização.

 

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