Bolsonaro diz que pessoa com HIV é despesa para todos no Brasil

Uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos no Brasil“. Essa frase foi pronunciada pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (5). Ele fez o comentário ao defender a ideia da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, de que a abstinência sexual deve ser apresentada como método contraceptivo.

O próprio Alexandre Garcia, ele fala que a esposa dele, que é obstetra, atendeu uma mulher que começou com o primeiro filho com 12 anos de idade. Outro com 15, e no terceiro, que a esposa dele atendeu, ela já estava com HIV. Uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos no Brasil”, disse o presidente.

Dados do portal da transparência revelam que, em 2019 o governo gastou R$ 1,8 bilhão na compra de remédios para pacientes com HIV, o que representou 0,06% de todos os gastos públicos do ano. A estimativa do Ministério da Saúde é que há 866 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil, dos quais cerca de 135 mil não o sabem.

Para Bolsonaro, a ministra Damares “é 10” na questão de combate à violência contra a mulher. Na visão do presidente, a área não precisa de dinheiro ou de recursos, e sim de “postura”, “mudança de comportamento” e “conscientização”. Em seguida, mencionou a atuação da ministra em defesa da abstinência sexual.

Quando ela (Damares) fala em abstinência sexual, esculhambam ela. Quem quer… Eu tenho uma filha de nove anos, você acha que eu quero minha filha grávida no ano que vem? Não tem cabimento isso aí. É essa a campanha que ela faz”, declarou o presidente sobre Damares.

A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) se manifestou contra a declaração do presidente na manhã desta quinta-feira (6) e afirmou que sua fala reforça o estigma, o preconceito e a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV/Aids no país. Além disso, a associação afirmou que políticas de abstinência sexual não reduzem as taxas de infecção pelo HIV e que Bolsonaro lidera um governo que “ignora cotidianamente os direitos humanos fundamentais”.

Não será por meio da divisão, do preconceito e da ignorância que construiremos uma resposta eficaz à epidemia do HIV/aids. A principal lição em 40 anos de enfrentamento à aids nos ensinou, sem qualquer dúvida, que o peso de estigma e discriminação na resposta social é a maior barreira ao controle da epidemia. Ao dizer que as pessoas vivendo com HIV causam prejuízo à sociedade, o presidente autoriza tacitamente o estigma, a discriminação e a violação dos seus direitos humanos”, disse a entidade, em nota.

A ABIA espera que o STF e demais instituições jurídicas se mantenham alinhados à Constituição e garantam o acesso ao SUS e a proteção de todos os direitos fundamentais lá garantidos, inclusive das pessoas que vivem com HIV/aids” completou a entidade.


Campanha #EuNãoSouDespesa

A campanha #EuNãoSouDespesa, promovida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), reúne depoimentos de ativistas, estudantes, aposentados(as), jornalistas, assistentes sociais, advogados(as), médicos(as), atores e diversos outros cidadãos e cidadãs que defendem o Sistema Único de Saúde (SUS), contra o estigma, o preconceito e a discriminação às pessoas que vivem com HIV/Aids.

Ninguém é despesa. Nós pagamos impostos e esse dinheiro é revertido para a Saúde. Há várias décadas lutamos contra os estigmas, preconceitos e discriminação e não aceitamos mais rótulos”. Heliana Moura, assistente social da Rede Mulheres Vivendo com HIV/Aids.

O Conselho Nacional de Saúde convida as pessoas que vivem com o vírus a publicaram fotos e vídeos utilizando as hashtags: #EuNãoSouDespesa e #SaúdeÉdireito . Também é possível acompanhar todos os vídeos da campanha clicando aqui. 


Foto: Carolina Antunes / PR

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