As blitze de trânsito vieram para ficar em Blumenau?

Por Marcia Pontes, colunista do Notícias Vale do Itajaí:

 

Depois de muito, mas muito tempo mesmo sem operações de fiscalização de trânsito frequentes, daquelas com muitos agentes e que param muitos condutores, eis que a esperança dos cidadãos e dos motoristas de bem voltou!  Até que enfim! Estavam aonde esse tempo todo? Demorou, hein! Vai ser assim sempre ou é só por causa do maio amarelo? Essas são algumas perguntas e exclamações que mais se ouviu na semana nas rodas de conversa na cidade. Tomara que sim, que haja cada vez mais operações de fiscalização nos 35 bairros!  Mas a barra pesou mesmo depois de um homicídio no trânsito por um motorista embriagado, a repercussão do caso de Chapecó em que um motorista embriagado invadiu uma creche e atropelou oito crianças, somado ao Maio Amarelo e à troca de comando na presidência do Seterb (afinal, é um bom começo assumir a pasta dando respostas à população).

Depois desses casos envolvendo motoristas embriagados a imprensa veio pra cima em entrevistas ao vivo em rede estadual, colocou a PM e o Seterb na parede, cobrou uma resposta e chegou a indagar por que desde 2008 as operações de Lei Seca nunca tinham realizadas em Blumenau. Em meio à esse cenário, as operações de fiscalização e a ampla divulgação vieram como resposta.

A torcida é para que as fiscalizações de trânsito nos moldes como estão sendo feitas permaneçam, que os seus resultados sejam cada vez mais divulgados (e até as fotos) para que os motoristas que se sentiam amparados pela capa da impunidade e pela falta de fiscalização visível nas vias entendam o recado. Para que os motoristas que respeitam as leis de trânsito continuem acreditando que vale a pena continuar fazendo o certo.

Se a população gostou? Muito! Está aplaudindo, ao contrário dos que pensam que propagar o discurso da indústria da multa para ganhar votos de eleitores infratores seja uma boa, apesar de já manjada estratégia.

As primeiras ações de fiscalização revelaram o quanto certos motoristas confiavam no “não vai dar nada”, pois além dos que dirigiam alcoolizados mesmo sabendo de todos os riscos à segurança e da punição prevista, também tinha muita gente dirigindo sem habilitação e com os documentos de porte obrigatório vencidos. Com certeza, também ficaram surpresos com as blitze.

Os resultados dessas fiscalizações e das demais que são realizadas na cidade só não foram melhores porque tem a turma do contra que fica avisando local de fiscalização em grupos de whatsapp. Quando o movimento diminui no local da fiscalização podes crer que é por conta disso. Sem problemas, as equipes levantam acampamento da via e vão fiscalizar em outra.

O lado bom disso tudo é que em breve saberemos se grandes fiscalizações da GMT vieram para ficar ou se só fazem parte das ações do Maio Amarelo. O efetivo dos agentes de trânsito concursados em Blumenau é de 122, mas acabou baixando para 121 depois que um dos agentes, ainda que fora do horário de serviço, envolveu-se em vias de fato, foi denunciado por dupla tentativa de homicídio e teve a prisão decretada. Mas, nem todos os agentes de trânsito estão nas ruas com a tarefa exclusiva de fiscalizar: muitos organizam a travessia de alunos em frente aos colégios e outros fazem serviços administrativos.

Tempos atrás as horas extras dos agentes de trânsito foram cortadas e as equipes passaram a trabalhar em regime de plantão; some-se a isso o fato do efetivo estar bem abaixo do ideal. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o ideal é que seja um agente de trânsito para cada 1 mil ou 2 mil habitantes. Considerando que a população de Blumenau em 2017 foi estimada pelo IBGE em 348 mil, mas também levando em conta as dificuldades para manter a folha de pagamento sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, seria impraticável um efetivo de 348 agentes de trânsito. Então, o efetivo ideal máximo admitido seria de 174. O efetivo de Blumenau é de 121, o que dá um déficit de 53.

Não é novidade para ninguém a falta de efetivo na PM de modo que se as fiscalizações de trânsito que a corporação faz existem é porque os policiais fazem das tripas coração, juntamente com a GMT. Esse é um fator muito importante e determinante para que as blitze sejam feitas com mais frequência e regularidade em Blumenau. Pelo menos, ainda que não se admita claramente isso à população, a falta de efetivo sempre foi a explicação para a Blitz da Lei Seca nunca ter chegado na cidade.

Sabemos que trânsito é comportamento, envolve a educação de berço, aquela que se traz de casa, os valores, as crenças, os traços de personalidade, o modo como as pessoas respeitam as outras e cumprem as leis. Só que comportamento demora para mudar porque faz parte de uma cultura, e a cultura por aqui tem sido transgredir e colocar a culpa em quem fiscaliza. Nesses casos, quando o comportamento do motorista não ajuda, fiscalização neles! E de forma ostensiva para que saibam, de alguma maneira, que é uma das formas mais efetivas de se colocar um freio nos abusos.

Fiscalização não educa para o trânsito, mas é um dos pilares do trânsito seguro e evita que os motoristas continuem acreditando que “não dá nada”. Fiscalização não muda comportamentos, mas os condiciona para que os motoristas passem a ter um tipo de “medo” e de cautela que antes não tinham. Pelo menos é um começo para se levar trânsito a sério dos dois lados: dos gestores, dos quais o CTB cobra o dever de fiscalização, de engenharia de tráfego e de educação; e dos motoristas, dos quais o CTB cobra o respeito às normas para convivência pacífica nas vias.

Se essa onda de fiscalização que está sendo anunciada vai se manter, isso só saberemos ao longo dos demais dias do ano. E que seja implacável como esperamos, pois se fiscalizando já está difícil, imagina deixando os motoristas fazerem o que quiserem.

 

 

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